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Mostrando postagens de agosto, 2008

Diário de mochila IV

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Já olho a cidade como quando cheguei, estranhando e entrañando (como dizem aqui) voltei a fotografar seus lugares mais vistos por todos que aqui vêm talvez agora com outro olhar, com alguma intimidade, sem deixar de identificar, como qualquer turista, o lugar em que estou; será que começo a despedir-me? Quê que você acha? Vê se adivinha que lugar é este.

Diário de mochila V

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Existem becos, ruelas de todos os tipos e lugares, em Getxo, Bilbao ou na Rocinha; em Lisboa ou Bangladeche. Você vai andando pelas ruas e avenidas das cidades por onde passa, por quarteiroes inteiros e sempre ao final encontra um beco; ás vezes é uma escadaria que dece ao porto ou sobe a um morro, ou é um corredor comprido com portas e depois com portas e tambêm janelas, estreito, por uma greta em cima o céu, roupas penduradas no varal, no batente de uma janela um gato dorme ao sol; sacadas diminutas sobresaem-se de artesanais edificaçoes. Em Ouro Preto brotam musgus do arrimo dos casaroes, no Casco Viejo de Bilbao pelas paredes ricocheteam notas saídas da garganta de algum canário de gaiola. Cada beco é diferente do outro, mesmo assim em Siete Calles, na Cabana, em Getxo ou na Rocinha é fácil se perder se você nao conhece e anda por eles ... e isso acontece em qualquer lugar quando tudo se embaralha e parece igual ... e você pára, olha para um lado e para outro e se pergunta: “J...

Qual é o seu desejo?

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Qual é o seu desejo? Qual é o seu sonho, a sua cor preferida, seu gosto, seu dia predileto? Me refiro àquela corda sensível em você que quando se toca te faz vibrar inteiro fazendo com que se desprendam ondas invisíveis de contentamento que se expandem e se espraiam ao mais lindo, íntimo e profundo universo, acrescentando algo mais a sua etérea essência. Qual é seu desejo? Qual é seu sonho de vida? Manifesta-o uma e outra vez; reza-o ( o universo pode te ouvir), vá atrás dele! ... Lembre-se; o seu sorriso é o maná dos que bebem da esperança de ser feliz.

O amigo Que Veio do Deserto

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Hama é un tipo curioso. Quase não fala espanhol, mas, quando vê gente trabalhando aqui em casa, um eletricista, um encanador ou os pintores que vieram outro dia, se aproxima, pergunta, comenta algo, quer conversar. Seu idioma pátrio é um dialeto árabe do norte do Saara Ocidental. O espanhol aprendeu na infância como língua secundária durante a ocupação de seu país por Espanha. Manca um pouco, se apóia mais em uma perna mecânica que substitui a que perdeu ao pisar uma mina explosiva no deserto; sonha com uma prótese e se vê mais próximo de seu sonho desde que chegou e veio morar conosco em nossa república de rapazes. É estranho para mim que já o entendo um pouco vê-lo expressar-se assim, sem quase ser entendido em seu afã de ser cordial com os espanhóis... se é que se podem chamar assim os daqui já que eles, a parte do castelhano, também tem seu próprio idioma. Nós aqui nos entendemos; com poucas palavras, mas nos entendemos.

De Um Orelhão Na Estação de Trem

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Com toda a preguiça do mundo, depois de levantar da siesta, de estar lendo o jornal nesta tarde de domingo em que o sol forte me desanimou de ir a praia me custa muito agüentar de pé diante da pia para arrumar a casinha; Enquanto lavo pratos me lembro do dia em que deixaram notas em todos meus espaços virtuais para que telefonasse o quanto antes para minha mãe; Lembrei-me também que o fato que gerou a urgência daquela chamada se desenrolou num dia assim... Justo quando eu estava, como agora, arrumando a cozinha... e chegou um amigo que era repórter fotográfico em uma editora. Sentou-se e enquanto eu terminava o que fazia me contou em que estava trabalhando e me perguntou se podia tirar uma foto de mim, “aí, assim mesmo, como está” e eu com uma bucha de “bombrio” na mão e avental diante da pia. Na chamada que fiz de um orelhão da estação de trens daqui de Bilbao a minha mãe em Belo Horizonte , me dizia ela eufórica: “te vi numa foto num livro da biblioteca pública meu filho! Você...

Palavras Exatas

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Ao comentar meu blog, me perguntaram se virei poeta. Poderá alguém transformar-se em poeta? – me perguntei então. Não creio, mesmo que se esforçasse. O que acontece comigo é que não encontro palavras exatas para expressar o que sinto; o que penso expresso em outro espaço, nos blogs do MACACA e do SOS Serra da Piedade, por exemplo. De querer expressar coisas que me despertam algum sentimento nasceu este blog pessoal; nele tento contar e compartir essas coisas que vejo, vivo ou que quero viver e que podem perder-se facilmente na memória, sentimentos do dia-a-dia que são fáceis de esquecer, águas que não fazem girar o moinho (tá vendo? Outra vez! Nem falando sério...). Assim você sabe um pouco como sou e o que estou sentindo.