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Sob Um Pé de Jambeiro, o livro.

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       A muito tempo atrás morei numa cidade pequena de Minas Gerais. Caeté. Foram 12 anos que fazem parte dos 15 anos que durou um relacionamento. Essa cidade foi me envolvendo aos poucos e depois de 3 anos de namoro, entre carnavais e jubileos terminei indo para lá. E nela foi descobrindo outros motivos que davam sentido a minha vida naquele lugar. A Serra da Piedade, as pessoas, a rotina de lugar provinciano foram me levando a me envolver com questões ambientais e culturais daquele entorno. Passei a me importar com a preservação daqueles casarões, de suas igrejas, do seu entorno natural, mas também mergulhei num mundo imaginário, simbólico mesmo do lugar. Voltei a escrever observando pessoas muito simples mas carregadas de originalidade, verdaderas fontes de inspiração para mim. Foi em Caeté, na Rua dos Mundéus, que vi pela primeira vez um senhor que passeava tranquilamente  de paletó, coberto por um chapéu de feltro e acompanhado por uma mui digna senhora co...

Vovós ativa

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  Havemos de concordar em um ponto: as mulheres amadurecem antes que os homens e não raro vêm, em pleno vigor e conciencia, o declinar das forças de seus companheiros. Um exemplo claro que conheço é o de Dona Dina, concidadã e simpática sensentona, conhecida de todos da cidade. Comerciante de moça, experiente barraqueira de salgados toca agora rendoso negocio na parte alta da cidade. Ativa, desembaraçada e sempre sorridente, se movimenta por toda parte, acompanhada do “seu velho”. Vai a frente de tudo, seja fazendo compras, negociando, resolvendo; e na hora de ir embora é ela que vai ao volante, “de nariz em pé”, atenta ao trânsito e mais ainda, do que irá fazer do seu destino. Seu esposo, marido fiel, está sempre presente, em segundo plano. E mesmo ao cumprimentar conhecidos, só o faz após espalhafatosa troca de saudações dispensadas por Dona Dina. Quando caminhando vão os dois, está ele sempre um pouco atrás, como a não conseguir acompanhar os passos firmes e decidid...

Suburbano

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 Aqui estou, como não combinamos.  Como se pego de surpresa, eu aqui:  desarmado, disperso, desnudado de qualquer intensão apenas divagando comigo mesmo “sim, caiu a noite, final de mais um dia...” E você primeira estrela. Estou surpreso, confesso,  Não havíamos combinado dia nem hora E no final de mais um dia ...  Em algum lugar Brancas velas despontam, voltando Eclipsando o sol que se vai.  Aqui, no transito parado o sinal parece fechado, não vejo O tempo não avança  a reter decisões, tecer artifícios  e fantasiar situações já edificadas, como detrás de um pano.  E última vez que nos encontramos? Não marcamos dia, nem ano.  E aqui estamos.  Tomemos uma cerveja? Caminhemos lado a lado pela calçada calmamente como velhos amigos? Talvez? Ou se prefere basta apenas uma troca de olhares e por ser assim tensos e apreensivos, de breve despedida:  você vai para o meio das outras estrelas e eu, sigo  com as mãos frias nos bolsos ...

Casual

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          Num vagão de trem, me dou com ela; uma figura atraente, serena, mulher feita, de entre 30 e 40 anos; eu a vi antes que ela, a mim; se sentiu olhada, virou-se; eu desviei o olhar. Foi a vez de ela  me ver e me observar do esqueleto a aura, em uma olhada rápida e radiográfica a todas as camadas do meu ser.  As mulheres tem essa habilidade. Quando me volto seu olhar já era direto, cristalino. Estremeci. Era um tremor impetuoso, que sei, pouco controlável em mim. Por isso, talvez me ruborizei e senti uma fina gota brotar de meus poros, fazendo grudar nas minhas costas, a camisa. Sabia que, se olhasse outra vez, depois daquele infinito momento anterior, me sentiria obrigado a me decidir se abordá-la ou nao. Era o passo me que colocava outra vez diante do abismo em que tantas vezes caí , do qual cada vez mais, era difícil  me reerguer.

RUA LÓTUS - Memórias de uma desapropriação

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  Desapropriação na Rua Lótus Via 210 é um vídeo documentário/ficção foi terminado em 2013, com imagens e depoimentos colhidos desde o início do processo de desapropriação iniciado em 2011, de mais ou menos 130 famílias. Eram moradores legalmente asentados na Rua Lótus, Bairro Betânia, Belo Horizonte-MG - Brasil. Foram desapropriados para a construção da Via 210, obra do PAC, para a Copa do Mundo. Os únicos personagens fictícios, mas perfeitamente verossímeis, são Dona Celeste e seu filho Agostinho. Todos os demais são moradores atingidos pelo processo doloroso de desapropriação.

Cinema 0800

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  Em Belo Horizonte tem um lugar do qual foi difícil eu me despedir um dia; o Cine Humberto Mauro. Por ser gratuito, atrai um público variado e interessante. Subvencionado pele Estado de Minas, não tem compromisso com o mercado; é livre da influencia sub cultural que o cinema comercial oferece, se deixa mover pela cinematografia mundial atemporal e pelo magnetismo da boa arte cinematográfica; os clássicos não envelhecem jamais. A programação era temática e abordava a obra de grandes diretores, na plateia se misturavam estudantes e professores da academia de cinema com gente do povo que não tem acesso ao cinema comercial, saltimbancos, vagabundos letrados ou não, mas todos amantes da sétima arte. As salas estavam quase sempre lotadas naquela penúltima semana da mostra A Era dos Extremos, que foi exibida do inicio do mês (não me lembro a data) até 21 de novembro de 2018. Casablanca – de Michael Curtz (1942) e Roma Aberta – de Roberto Russollini, são os que pude ver, deliciado. ...