segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Antes que você se deixe levar pelas aparências e, 
induzido (a) pelo imediatismo conclusivo contemporâneo que nos leva quase sempre a classificar e rotular o que quer que fuja á nossa compreensão; antes que faça uma ideia errada do que pode ser o que você vê nesta foto, eu lhe digo:
 Ela não é o que parece ser.
Em tempos de se fazer outra leitura dos fatos, da vida, do modo “normal” vigente; de reduzir o consumo, de reutilizar os recursos naturais e reciclar, esta pia de banheiro, que antes permitia apenas um uso da agua, esse escasso recurso natural, motivo já de conflito em vários territórios e nações do mundo, com uma pequena, mas, diga-se de passagem, transgressora modificação, rompe com o design original e permite agora como se vê um segundo uso, o racional, da água da pia do banheiro para as descargas do vazo; exemplo claro do que nos espera nos novos tempos: adaptação e resiliência. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Dia Mundial de luta por Moradia, ato em Belo Horizonte que unificou movimento pró moradia, professores da rede municipal em greve, servidores municipais e ex barraqueiros do Mineirão que estão acampados em frente a PBH. Presença marcante da Ocupação Zezeu Ribeiro e Norma Lúcia.











































sábado, 2 de agosto de 2014

 No silêncio da noite oscilam imagens, vacilam testemunhas sem sorte entre o silêncio e a morte; esfriam corpos indigentes.
Passos ecoam pela cidade, a rua molhada reflete anúncios em néon;
duendes infantis pisoteiam descalços infectas sarjetas,  reviram o lixo das latas;
 sombras recolhem-se, fragmentos turvos afluem a um grão mar distante, afoitam-se;
Dirigem-se clarões a fronteiras distantes.
            Há um matraquear banal na TV nos retendo, tecendo indecisões, fundindo-as;
semáforos em pane emitem sinais vermelhos, contínuos, forçando frágeis coágulos ...
Uma nuvem cinzenta, inundando a estratosfera, estaciona sobre a cidade eclipsando os dias; distúrbios eclodem nos campos e enfermarias.



quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cartaz de Cinema



Por vezes sinto a morte passar perto de mim; ora em alguém que morre junto da gente, ora em quem, pela morte seduzido, sem saber, com palavras salvei. Um tiro já me pegou de raspão. Numa viagem pela rodovia 381 vi a vô pela greta. Mesmo meu cachorrinho, por estes dias, num acesso foi sondado; não fosse as fortes massagens feitas em seu peito teria ido. E tantos ela tem levado; de mim levou um grande amigo de infância, os avós maternos e alguns conhecidos... , e eu que não esqueço amigos de infância, que sou o primeiro neto de meus avós maternos...
A vida, porém, me sorri todos os dias, como donzela debruçada em janela de casarão antigo, numa rua que é meu caminho diário. Inocente ou indiferente ela ignora a morte a espreitar nosso namoro, flerta comigo. Penso nela (a vida) o dia todo, as coisas mais sutis me levam a ela: um cartaz de cinema, um casal de andorinhas a brincar no beiral do telhado, um pacote de viagens. Eterno enamorado não quero perder nenhuma cena da vida, todos os dias em meu percurso diário vou atento às janelas, às donzelas que, por ventura ali possam posar.
Enciumada, a morte ainda prega-me alguns sustos, vejo em manchetes tragédias, chacinas, massacres, sempre aquelas ameaças. Mesmo assim desço diariamente a rua, torço pela conservação daqueles velhos casarões, assumo de público meu amor pela vida e sigo atento às janelas e às pessoas que nela se debruçam. Por um simples sorriso ou mesmo um adeus.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Relembro agora


No final da década de 80 percebi a necessidade de buscar mais qualidade de vida. Morar num grande centro urbano era expor-me ao convívio direto com desigualdades sociais bastante características de nosso país. Naquela época as ruas de Belo Horizonte tinham um número de indigentes, bastante expressivo e o sentimento de injustiça provocava em mim uma melancolia incômoda, incompatível com qualquer nível de qualidade de vida. Foi quando me mudei para Caeté-MG.

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Enquanto viajo de metrô, vou olhando pela janela e pensando:
Teremos no futuro mais que amigos virtuais? Tão longe me encontro de casa que até meu melhor amigo ocupa um espaço virtual
que, se não freqüento não contacto...
Num tempo em que as movimentações migratórias devido a problemas ambientais tendem a aumentar ...
_ se senta diante de mim uma jovem que contrasta sua tez branca com sua indumentária punk...
Ela é indefinida e indescritível interrompendo meus pensamentos; com minha camisa de gola, mangas compridas e relógio de pulso me sinto quadrado...
Refugio-me nas imagens que se refletem na janela e são do interior do vagão, incluída minha incógnita companheira de viagem, no fundo o exterior, em movimento;
alucino-me, poderia imortalizar tal vertigem? Penso na câmara digital como se ela pudesse ver o que vejo...
Porquê quero sempre reter mais do que a minha memória pode registrar
gerando novos arquivos?
.

terça-feira, 2 de junho de 2009


Uma enorme parabólica sensitiva rastreia um vasto âmbito do universo; seu movimento é lento, mas suas placas côncavas podem captar qualquer sinal que se emita de qualquer lugar dentro do raio que varre e, no momento exato em que executa sua patrulha extra-dimensional, reproduzí-lo.
No entanto distrações pessoais e coletivas, nebulosas, tempestades atmosféricas, obsessão consumista, eclipses emocionais, alienação espiritual, fundamentalismos, outros efeitos colaterais da natureza e de comportamentos ancestrais não superados interferem nos sinais que chegam a intermitências variadas e sutis.Às vezes, alertado por dados confusos e aparentemente insípidos, por imagens caóticas que não se plasmam completamente ou mesmo por curiosidade saio da comodidade de meu sofá, atravesso a sala e pela porta dos fundos me dirijo ao suporte que eleva ao mais alto que posso minha antena individual e giro a base, buscando sintonia.