blog pessoal que procuro alimentar diariamente com anotações que faço de meus sentimentos e sensações que se permitem descrever na pressa das idas e vindas do dia-a-dia ilustrado com fotos minhas.
A muito tempo atrás morei numa cidade pequena de Minas Gerais. Caeté. Foram 12 anos que fazem parte dos 15 anos que durou um relacionamento. Essa cidade foi me envolvendo aos poucos e depois de 3 anos de namoro, entre carnavais e jubileos terminei indo para lá. E nela foi descobrindo outros motivos que davam sentido a minha vida naquele lugar. A Serra da Piedade, as pessoas, a rotina de lugar provinciano foram me levando a me envolver com questões ambientais e culturais daquele entorno. Passei a me importar com a preservação daqueles casarões, de suas igrejas, do seu entorno natural, mas também mergulhei num mundo imaginário, simbólico mesmo do lugar. Voltei a escrever observando pessoas muito simples mas carregadas de originalidade, verdaderas fontes de inspiração para mim. Foi em Caeté, na Rua dos Mundéus, que vi pela primeira vez um senhor que passeava tranquilamente de paletó, coberto por um chapéu de feltro e acompanhado por uma mui digna senhora co...
Enquanto viajo de metrô, vou olhando pela janela e pensando: Teremos no futuro mais que amigos virtuais? Tão longe me encontro de casa que até meu melhor amigo ocupa um espaço virtual que, se não freqüento não contacto... Num tempo em que as movimentações migratórias devido a problemas ambientais tendem a aumentar, num vagão de trem, se senta diante de mim uma jovem que contrasta sua tez branca com sua indumentária punk... Ela é indefinida e indescritível interrompendo meus pensamentos; com minha camisa de gola, mangas compridas e relógio de pulso me sinto quadrado... Refugio-me nas imagens que se refletem na janela e são do interior do vagão, incluída minha incógnita companheira de viagem, no fundo o exterior, em movimento; alucino-me, poderia imortalizar tal vertigem? Penso na câmara digital como se ela pudesse ver o que vejo... Porquê quero sempre reter mais do que a minha memória pode registrar gerando novos arquivos?
As vezes as coisas têm para mim um preço que vão além do que aparentam e são mais difíceis que pensava e quando se convertem em um sacrifício penso que não será passível, superior às forças que tenho... Quando é assim a única coisa que me resta é afastar e alongar meus limites sem desrespeitá-los bater meus próprios recordes; isso impede que eu desista e que com a vontade de superar-me descubro que posso mais que pareço.
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