blog pessoal que procuro alimentar diariamente com anotações que faço de meus sentimentos e sensações que se permitem descrever na pressa das idas e vindas do dia-a-dia ilustrado com fotos minhas.
A muito tempo atrás morei numa cidade pequena de Minas Gerais. Caeté. Foram 12 anos que fazem parte dos 15 anos que durou um relacionamento. Essa cidade foi me envolvendo aos poucos e depois de 3 anos de namoro, entre carnavais e jubileos terminei indo para lá. E nela foi descobrindo outros motivos que davam sentido a minha vida naquele lugar. A Serra da Piedade, as pessoas, a rotina de lugar provinciano foram me levando a me envolver com questões ambientais e culturais daquele entorno. Passei a me importar com a preservação daqueles casarões, de suas igrejas, do seu entorno natural, mas também mergulhei num mundo imaginário, simbólico mesmo do lugar. Voltei a escrever observando pessoas muito simples mas carregadas de originalidade, verdaderas fontes de inspiração para mim. Foi em Caeté, na Rua dos Mundéus, que vi pela primeira vez um senhor que passeava tranquilamente de paletó, coberto por um chapéu de feltro e acompanhado por uma mui digna senhora co...
Num vagão de trem, me dou com ela; uma figura atraente, serena, mulher feita, de entre 30 e 40 anos; eu a vi antes que ela, a mim; se sentiu olhada, virou-se; eu desviei o olhar. Foi a vez de ela me ver e me observar do esqueleto a aura, em uma olhada rápida e radiográfica a todas as camadas do meu ser. As mulheres tem essa habilidade. Quando me volto seu olhar já era direto, cristalino. Estremeci. Era um tremor impetuoso, que sei, pouco controlável em mim. Por isso, talvez me ruborizei e senti uma fina gota brotar de meus poros, fazendo grudar nas minhas costas, a camisa. Sabia que, se olhasse outra vez, depois daquele infinito momento anterior, me sentiria obrigado a me decidir se abordá-la ou nao. Era o passo me que colocava outra vez diante do abismo em que tantas vezes caí , do qual cada vez mais, era difícil me reerguer.
Desapropriação na Rua Lótus Via 210 é um vídeo documentário/ficção foi terminado em 2013, com imagens e depoimentos colhidos desde o início do processo de desapropriação iniciado em 2011, de mais ou menos 130 famílias. Eram moradores legalmente asentados na Rua Lótus, Bairro Betânia, Belo Horizonte-MG - Brasil. Foram desapropriados para a construção da Via 210, obra do PAC, para a Copa do Mundo. Os únicos personagens fictícios, mas perfeitamente verossímeis, são Dona Celeste e seu filho Agostinho. Todos os demais são moradores atingidos pelo processo doloroso de desapropriação.
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