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Mostrando postagens de julho, 2008

O Péndulo

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Às vezes procuro a tranqüilidade dos barcos que balançam suavemente amarrados; me atrai a lentidão com que manobram, a suavidade com que acariciam o porto para por fim atracar-se, há uma elegância ao partir e ao chegar. Até as gaivotas do porto são mais afoitas, mesmo assim seu vôo é cerimonioso e seu grunhido é melancólico como um adeus. O tempo e o ritmo numa baia estão submetidos às normas da natureza e o mar como pendulo da vida ali se impõe... Sábio é respeitá-lo e esta submissão me agrada, Há inteligência nos que vão e voltam sãos e salvos. Os barcos que flutuam atados ao porto, suave e simplesmente esperam.

Espreguiçar

Ai que vontade de fazer algo grande, De tomar partido nesse atrito dinâmico do universo: de um lado uma força devastadora e de impacto, o progresso; do outro, frágeis eco-sistemas; desse uma existência alienada, inconseqüente e individualista de consumo; do outro voluntariado, engajamento e idealismo; de um lado arte, cultura e entretenimento televisivo e de massas; de outro, fluxos migratórios, línguas mortas, guetos; refúgios de fauna e flora, rústicos territórios indígenas, aborígines ... Antes mesmo que eu me decida já está tudo pensado, acoplado ao conforto diário do urbanismo de nossas vidas; nele nos dão, na “imparcialidade” dos meios de comunicação dúvidas, receitas de cozinha, novelas, indecisões... Assim seguimos sem pensar, nos mantêm informados “outro carro bomba explode em Bagdá...”, zumbis sem alma, nem espírito num bar ás oito ou em casa sentado no sofá; apenas boca, olhos, braços e ouvidos, órgãos vitais para o consumo alimentar.